Ensinando Igualdade de Gênero para Adolescentes:

Dicas para Professores

 

 

A igualdade de gênero é um conceito que define a busca da igualdade entre homens e mulheres, e que só foi introduzido no nosso léxico educacional há poucas décadas.

 

O patriarcado era a norma em nosso passado recente. Como resultado, vivíamos uma cultura onde os homens detinham o poder legal sobre suas famílias, e até a violência doméstica era raramente denunciada. Atualmente o mundo da educação tem em suas mãos o desafio de erradicar o preconceito de gênero em todas as áreas de ensino. No entanto, o preconceito de gênero ainda existe e persiste, mesmo que inconscientemente, nas salas de aula.

 

Estudos recentes realizados com crianças em idade escolar  mostraram que os efeitos da discriminação de gênero, mesmo que sutis, são poderosos. Alunos do ensino fundamental em uma escola americana participaram de uma pesquisa onde deveriam considerar como seria a  vida se fossem do sexo oposto. 40% das meninas relataram que a vida seria melhor se fossem um menino, mencionando que seriam mais respeitadas e teriam melhores empregos. Por outro lado, 95% dos meninos entrevistados não viram nenhuma vantagem em ser uma menina.

 

Em outro estudo com jovens no ensino médio, o assédio sexual, uma forma mais insidiosa de discriminação, foi comumente relatado. Durante o ano letivo de 2011, mais de 50% das meninas e 40% dos meninos relataram ter sofrido algum tipo de assédio sexual. Estudantes homossexuais enfrentaram discriminação ainda mais grave: 85% de denúncias de abuso verbal e 19% foram vítimas de violência física. Infelizmente, o impacto para os alunos se estende muito além de um simples desconforto. Ainda mais insidiosamente, os alunos que foram vítimas de assédio sexual na sala de aula são estatisticamente mais propensos a se envolver em abuso de drogas e comportamento sexual de risco à medida que envelhecem. Os estudantes gays e lésbicas que sofreram assédio verbal e físico tiveram rendimento escolar mais baixo que a média, uma maior tendência a matar aula e menos planos de ir para a faculdade.

 

O preconceito de gênero nas salas de aula também pode ter um efeito poderoso sobre a percepção dos alunos a longo prazo sobre suas oportunidades futuras. Especialistas consideram que um dos efeitos do preconceito é  a aceitação da diferença salarial entre homens e mulheres  no mesmo mercado de trabalho. 

 

Mesmo que inteiramente inconscientemente, meninas e meninos são muitas vezes tratados de forma diferente em ambientes de aprendizagem. Meninos tendem a receber mais atenção do professor, mesmo que a atenção seja por motivos negativos. As meninas são incentivadas a sentar-se calmamente e  responder educadamente a perguntas, enquanto os meninos normalmente nem são repreendidos por gritar respostas em sala de aula. 

 

Felizmente, existem muitas ações que os professores  podem desenvolver para combater o preconceito de gênero e suas implicações a longo prazo. Conscientização é o primeiro passo, já que muitos adultos, sem se dar contam, aplicam os estereótipos de gênero. Especialistas criaram um corpo de sugestões para  professores:

 

  • Observe cuidadosamente comportamentos na sala de aula e examine se há preconceito. A divisão de meninos e meninas em atividades e jogos é desencorajada. Nos debates em classe, os professores podem sortear o nome de alunos para respostas, em vez de chamá-los aleatoriamente a partir de escolha própria. 

 

  • Examine o  currículo e materiais complementares que o auxiliem a utilizar regularmente exemplos de homens e mulheres bem-sucedidas dentro da sua matéria. Os educadores devem fazer um esforço consciente para utilizar modelos femininos e masculinos com a mesma regularidade.

 

  • Selecione  livros e referências cuidadosamente. Incentive seus alunos a ler livros que valorizem o respeito a diversidade e desmitifiquem estereótipos.

 

  • As diferenças culturais podem impactar as opiniões das crianças sobre gênero. Aborde abertamente o fato de que diferentes origens culturais devem ser sempre respeitadas, e que qualquer tipo de discriminação não é aceitável na escola.

 

  • Incentive escolhas não-tradicionais. As meninas podem ser incentivadas a fazer, por exemplo, uma pesquisa sobre bolsa de valores, e os meninos sobre economia doméstica. Ofereça oportunidades para que seus alunos possam explorar todas as ocupações da mesma forma, como algo normal, e refute a ideia entre os alunos de que o sexo de uma pessoa pode impactar sua capacidade de trabalhar em qualquer área de interesse.

 

  • As expectativas acadêmicas para meninos e meninas  devem ser iguais. Inconscientemente, pais em comunidades de baixa renda podem deixar implícito que a mulher tem que ser dona de casa, em uma forma inconsciente de projetar sua própria realidade como normal. Use uma linguagem precisa e detalhada ao fornecer para meninas informações sobre suas melhores possibilidades de vida e independência por meio da formação universitária.

 

  • Criar um ambiente de aprendizagem que inclua  atividades tanto de cooperação quanto competitivas.  Pesquisas apontam que os meninos aprendem melhor de formas competitivas e meninas aprendem melhor em grupos de estudos cooperativos.

 

  • Evite papéis tradicionais de gênero ao atribuir  tarefas aos estudantes. Os professores devem incentivar meninas e meninos a realizar tarefas de forma equitativa.

 

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